revelou uma situação grave, exigindo a ação do Poder Judiciário e do Poder Legislativo de Mato Grosso. Há uma série de perguntas ainda sem respostas. Esquadrão da Morte é um negócio ou uma ideologia, em ambos os casos a vítima é sempre a sociedade.
Em seu comentário Preto no Branco desta sexta-feira (07.03), o jornalista Antero Paes de Barros lembrou que há cerca de 60 dias entrevistou o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, que apresentou denúncias ao Poder Judiciário de Mato Grosso sobre a Operação Simulacro. Aquela operação investigou 70 policiais militares da Polícia Militar que eram acusados de envolvimento em um esquadrão da morte. E na operação deflagrada nesta quinta para apurar o assassinato do ex-presidente da OAB/MT, o advogado Renato Nery, cinco PMs foram alvo. Destes, três também estavam na lista de denunciados da Operação Simulacro.
O assassinato do advogado Renato Nery carece da respostas às perguntas que não querem calar: quem mandou matar o advogado? Por que mandou matar?
O comentário do jornalista Antero Paes de Barros abre um espaço para outras importantes perguntas a partir da prisão dos executores do assassinato do advogado Renato Nery:
– Ao Poder Judiciário: Como está o processo que investiga a ação de um Esquadrão da Morte em Mato Grosso, a denúncia feita por promotores de Justiça chamada de Simulacro? São 70 policiais militares listados como pertencentes ao Esquadrão da Morte.
Ao Poder Legislativo: Por que a Assembleia Legislativa ainda não abriu uma CPI para investigar os crimes cometidos pela ação criminosa de policiais militares? A Instituição Polícia Militar merece respeito dos deputados, e o maior exemplo desse respeito é investigar, apurar, denunciar aqueles maus policiais que usam farda para matar e roubar.
Ao governo do estado: como funciona o rodízio de policiais militares que fazem a segurança pessoal do governador? O governo vai pedir a instalação da CPI do Esquadrão da Morte? O governo vai solicitar formalmente informações ao Poder Judiciário sobre o andamento do processo da Simulacro? O governo vai pedir desculpas públicas à família do advogado Renato Nery pelo envolvimento de policiais militares, agentes públicos do Estado, no seu assassinato?
Ao Ministério Público e à Polícia Civil: há um detalhe acessório na divulgação do caso dos PMS acusados de envolvimento do assassinato do advogado, a figura do “caseiro”. O caseiro da chácara de um dos PMs foi acusado de ser o executor, o sujeito que fez os disparos contra Renato Nery. Quem é esse caseiro com habilidades de um exímio atirador? A ironia da tragédia: entre tantos policiais militares, quem sabia atirar com precisão era o caseiro.
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A sociedade de Mato Grosso não esquece: o advogado foi assassinado na via pública, em plena luz do dia. Quem mandava matar assim, nas ruas, de dia, era Arcanjo. Esse modo de matar revela a certeza da impunidade. Os Poderes precisam dar as respostas às perguntas que não querem calar. A população não pode ficar refém do medo e dos bandidos impunes. No caso de Nery faltam os mandantes da sua morte. Esquadrão da Morte é um negócio ou uma ideologia e em ambos os casos a vítima é sempre a sociedade.
Por Pedro Pinto de Oliveira/PNBOnline

