Cuiabá (MT), domingo, 23 de setembro de 2018
Turma do Epa
Segunda, 14 de maio de 2018, 20h16
Chapeu economia

Economia brasileira ainda não sentiu efeitos da Copa 2018

Nem mesmo o setor de eletroeletrônicos, que historicamente é o mais beneficiado no período, tem demonstrado otimismo com as vendas.
Agência Brasil  / Cuiabá-MT

 A exatos 30 dias da abertura da Copa de 2018 – e no dia em que a Seleção Brasileira será convocada para o maior evento esportivo do planeta – poucos efeitos têm sido notados na economia por conta do Mundial, a ser realizado a partir de 14 de junho, na Rússia.

Nem mesmo o setor de eletroeletrônicos, que historicamente é o mais beneficiado no período, tem demonstrado otimismo com as vendas. Especialistas entrevistados pela Agência Brasil apontam que, em função da crise, há indicações de que o setor informal venha a ser o mais beneficiado pela Copa deste ano.

De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), a expectativa é que a Copa resulte na venda de 12,5 milhões de aparelhos de tv em 2018. Apesar de o volume ser 10% superior ao de 2017, a tendência é de que, no primeiro semestre de 2018, ele fique abaixo do anotado no mesmo período em 2014, quando da última Copa, realizada no Brasil, e vencida pela Alemanha.

“Na comparação com o primeiro semestre de 2014, quando foram vendidas 7,935 milhões de TVs, o volume estimado para 2018 é 14% menor”, disse o presidente da Eletros, Lourival Kiçula, ao afirmar que a indústria se preparou “com bastante antecedência” para esta Copa, no sentido de suprir as demandas vindas dos varejistas e de garantir a reposição de estoques.

Segundo ele, a Copa do Mundo representa uma “inversão de sazonalidade”, uma vez que traz, para o primeiro semestre do ano, as vendas de aparelhos eletrônicos que normalmente ocorrem com maior intensidade no segundo semestre.

“O mercado de televisores muda de patamar a cada quatro anos. Os televisores ganham mais evidência, uma vez que todos os brasileiros, apaixonados por futebol, querem acompanhar os lances de perto com a máxima qualidade de imagem”, disse.

A venda de televisores pode acarretar em um efeito dominó positivo para outros setores. É o caso da TV por assinatura. “A exemplo das Olimpíadas, a Copa ajuda a aumentar a demanda no nosso setor. As pessoas se preparam para a Copa. Elas trocam de televisor, e isso também é algo que as motiva a adquirir canais por assinatura. Uma coisa puxa a outra”, disse o diretor de Produtos de TV por Assinatura da NET, Alessandro Maluf.

Citando levantamentos feitos pela Agência Nacional de Telecomunicações, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) diz que o setor como um todo registra queda de assinaturas há dois anos, mas que a tendência é de estagnação, já que entre março e abril a redução do número de assinaturas ficou menor, em apenas 900 assinaturas.

“Nosso setor sofre fortemente os impactos da economia, e sentimos uma certa retração no mercado ao longo dos últimos anos. A Copa, no entanto, representa um estímulo para a TV por assinatura. Temos identificado um aumento de demanda e de pessoas interessadas nos canais esportivos”, disse o diretor da NET.

“Em geral nosso carro-chefe são os canais de filmes, os infantis, seguidos dos canais de esportes e de séries. No entanto, em ano de Copa, isso muda, e o carro-chefe fica com os canais de esportes”, afirmou.

Com base na apuração feita com suas associadas, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) indica que até o momento as vendas estão dentro da normalidade para o período, e que, em geral, elas se intensificam a partir deste mês. Os destinos nacionais despontam com 65% da procura, ante 35% do internacional.

A realização da Copa do Mundo no período é apontada como possível fator a pesar na menor procura por viagens mais distantes ou de longa duração em julho. Entre os destinos nacionais, os mais procurados para  julho têm sido Maceió (AL) e Porto de Galinhas (PE).

O aumento do dólar nas últimas semanas também têm resultado na queda da procura por destinos internacionais. Neste caso, os destinos mais procurados são Santiago, no Chile, e Cancún, no México.

Informalidade poderá ter benefícios

Segundo o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Marilson Dantas, a crise econômica prejudicará ainda mais “o efeito mínimo” que a Copa terá para a economia do país. Segundo ele, a tendência será a de favorecer o consumo de produtos mais baratos, oriundos da economia informal.

“O efeito da Copa para o Brasil será mínimo. Incentivará o consumo de alguns produtos específicos e de forma pontual. É o caso, principalmente, dos televisores. Mas em termos gerais o efeito é mínimo, ainda mais em um período de crise como o atual, que naturalmente já levaria as pessoas a consumirem produtos mais baratos como os ofertados pelo comércio informal”, disse.

O comércio informal, acrescenta, não deixa de ser relevante e positivo do ponto de vista econômico, até por ter, em sua cadeia, diversas etapas de formalidade econômica.

“Toda oportunidade de consumo gera riqueza. A economia é única, independentemente de ser ou não formal e ligada a uma pessoa jurídica. A economia informal está dentro da economia. Apenas não é alcançada pela área tributária. Ela apresentará resultados, ainda que não preponderantes para o processo de desemprego”, opinou o professor da UnB.

Segundo ele, o consumo relacionado à temática da Copa em grande parte será direcionado a pequenas empresas ou empresas informais que não pagam royaltiespara a Fifa (Federação Internacional de Futebol). Elas são as mais beneficiadas por conta do Mundial da Rússia.

“É lá [na economia informal] que estará a maior parte do volume a ser comercializado: bandeiras, camisas não oficiais e, principalmente, apetrechos de pequeno valor”, disse ele.

Vendas no varejo ainda não decolaram

Ciente dessa tendência, o comerciante Elho Carmo de Souza já disponibilizou algumas camisas “não oficiais” e bandeiras para capôs de carros logo à frente de sua loja, em uma das entradas da Feira dos Importados, em Brasília. As vendas não vão bem.

Apenas uma camisa de R$ 30 foi vendida desde que ele montou um varal com seus produtos. “Por enquanto, minha proposta é apenas garantir esse ponto de venda. Eu sei que as vendas só vão começar mesmo a partir de junho, quando começa a Copa”, disse o comerciante que, a cerca de 30 metros da própria loja, é também camelô.

Vendedora em uma loja de roupa esportiva, Lorena Saram diz que as vendas estão bastante travadas. “Notamos uma preferência das pessoas pelas camisas temáticas dos títulos já conquistados pela Seleção Brasileira. Mesmo assim, temos vendido pouco. Em média, apenas uma camisa por dia”, disse.

Ela acredita que a situação irá melhorar um pouco a partir dos próximos dias. “O brasileiro gosta de fazer tudo em cima da hora. Acho que não será diferente em se tratando da Copa do Mundo.”

Efeito para os países que sediam o Mundial

Na Copa de 2014, sediada no Brasil, o peso do evento na economia foi bem maior. “Para os países que sediam a Copa, o efeito é muito maior e envolve todo um processo de investimento pesado, que antecipa demandas de infraestrutura pública, visando os chamados legados. Nesse caso, o setor mais beneficiado é o dos transportes, que têm relação direta com jogos e com os estádios”, explica o professor Dantas, da UnB.

No caso do Brasil, os investimentos foram essencialmente públicos, o que, segundo o professor, acabou por prejudicar as contas públicas.

“Infelizmente não tivemos competência efetiva para atingir todas as metas relacionadas ao legado, já que parte das obras não foi concluída. Dívidas foram contraídas, mas resultados não foram consolidados. Isso costuma acontecer com a grande maioria dos países que sedia a Copa. Não é uma exclusividade do Brasil”, afirmou.

“O esforço foi muito grande e o resultado muito pequeno e envolto a suspeitas de desvios que resultaram em investigações. Veja o caso de Brasília onde foi construído um estádio de quase R$ 2 bilhões. Criamos uma dívida pesada que não faz sentido. Gastou-se para gastar mais, porque, além do pagamento da dívida, pagam-se juros e, agora, gasta-se ainda mais por conta da necessidade de manutenção do estádio”, finalizou.


 leia também
Domingo, 23 de setembro de 2018
08:29
Chapeu ELEIÇÕES 2018
Disputa de governador vai a segundo turno
Institutos de Pesquisa apontam para uma disputa apertada e capaz de se definir apenas em segundo turno.
Sábado, 22 de setembro de 2018
13:30
Chapeu contrabando
PF combate grupo criminoso responsável por contrabando de cigarros
A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (22) a Operação Nepsis para desarticular organização criminosa especializada no contrabando de cigarros
13:25
Chapeu alcoolismo
Álcool matou mais de 3 milhões de pessoas no mundo em 2016, aponta OMS
O consumo de álcool foi o responsável pela morte de mais de 3 milhões de pessoas no mundo em 2016, representando uma em cada 20 mortes.
13:19
Chapeu chuvas
ONS revê para mais a previsão de chuvas nos reservatórios do país
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou hoje (21) que espera um ligeiro aumento nas projeções de chuva nas regiões dos maiores reservatórios das hidrelétricas
13:16
Chapeu economia
Governo libera R$ 4,12 bilhões para ministérios
A diminuição das estimativas de gastos obrigatórios para o restante do ano fez a equipe econômica liberar R$ 4,12 bilhões para ministérios e órgãos federais.
13:13
Chapeu fake news
Facebook anuncia medidas para combater contas falsas e desinformação
O Facebook divulgou nesta semana nota com novas medidas para evitar abusos na plataforma relacionados ao debate eleitoral.
13:05
Chapeu primavera
Primavera começa hoje com possibilidade de novo episódio do El Niño
A Primavera no Hemisfério Sul começa hoje, às 22h54, e termina no dia 21 de dezembro, às 20h22, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
12:56
Chapeu Lei Eleitoral
A partir deste sábado, candidatos só podem ser presos em flagrante
Lei Eleitoral veda detenções nos 15 dias anteriores à eleição
Segunda, 11 de junho de 2018
23:46
Chapeu Geopolítica
Trump e Kim Jong-un iniciam encontro histórico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, iniciaram na noite de hoje (11) uma reunião histórica.
23:42
Chapeu TJ/MT
TJ/MT torra R$ 6,3 milhões com garagem de luxo para seus servidores; o povo que morra à míngua!
O judiciário brasileiro é uma ilha de prosperidade no meio ao deserto da crise econômica porque passa o país.

+ ver todas as matérias
Eparre

 Sufoco


Pedro Taques está no sufoco. Vê o fim do mandato sem vislumbrar uma perspectiva de renovação. Há apostas de que a carreira política do governador termina em 31/12 engolfada pelas incoerências que não conseguiu suplantar.

 Resistencia


O Comitê Eleitoral de Taques vai levar a resistência até o final numa aposta de que MM reflua num segundo turno como já aconteceu anteriormente por mais que eleições não se repetem. As defecções que podem afetar o governador na reta final ainda não se verificaram e a diáspora, por enquanto, parece contida.

 Renovação ou mais do mesmo?


Há quem aposte numa renovação nos quadros da Assembleia Legislativa, mas, fala-se, pelos cantos, em mais do mesmo. Tem-se uma razão: após a onda de prisões preventivas ou temporárias ou noticiário se amenizou e trouxe esperanças a quem pretende continuar. Por enquanto, dúvida atroz.

 Calote da AL


A Assembleia Legislativa vem usando um expediente para serenar os ânimos da mídia: renovar as esperanças de recebimento de valores que sequer foram processados no ano devido (2016). A "Notificação Extrajudicial" promovida pelos prejudicados, se não foram perfiladas nos tais "Restos a Pagar" serão apenas mais uma frustração. A operação.

 Cala a boca


A operação recebeu um nome bem apropriado: "Cala a boca". Os esperançosos de que os trocados irriguem os cofres preferem não se exaltar, mas, os endividados não parecem dispostos a buscar um eventual SPCiro para se haverem com as respectivas obrigações.

 Operação Esparadrapo


O Executivo preferiu outro caminho: processou devidamente os Restos a Pagar e editou um decreto para garantir o pagamento das dívidas em 11 meses sem juros ou correção monetária. Ninguém garante, no entanto, que um novo chefe, apesar da impessoalidade da administração pública, leve isso a sério quando assumir. Esta operação tem recebido um nome hospitalar: "Esparadrapo".

Eparre

Sexta, 16 de fevereiro de 2018
K.W.
Estranha a edição. Essas agressões na Fecomercio não são gratuitas. Há muita sede de poder. Só pode.

Sexta, 15 de dezembro de 2017
Juvenal
Respondendo ao amigo.
Ficou para depois do carnaval..
Vai Brasillll!!!

Sexta, 08 de dezembro de 2017
Roberto Alves
Alguém acredita que a reforma da previdência sai em 2017?

Terça, 15 de agosto de 2017

Vocês estão todos no grampo. Se não for ilegalmente alguém da Justiça já deve ter determinado grampo em vocês. Ta todo mundo quietinho e aprovando prisão de qualquer jeito e vocês acham que prisão é pro cara ficar no bem bom?

DEIXE SUA OPINIÃO OU COMENTÁRIO
Nome:
Texto:
Email:
Coluna:
Vídeos
 HUMOR
10 coisas que você não deve fazer num velório!
HOME  |   TURMA DO EPA  |   PANORAMA  |   VÍDEOS  |   LEITURA  |   EPARRÊ  |   EPA DOS LEITORES
BROADCAST  |   QUEM SOMOS  |   DIREITO DE RESPOSTA  |   ANÚNCIOS  |   CANAL RSS  |   CONTATO
Copyright © 2011 - Turma do Epa. Todos os direitos reservados