Cuiabá (MT), segunda, 18 de junho de 2018
Turma do Epa
Domingo, 03 de setembro de 2017, 13h31
Chapeu DELAÇÃO MONSTRUOSA

Ex-governador montou esquema de "corrupção familiar" em MT

Inexpressivo politicamente fora de Mato Grosso, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi alçado ao cenário nacional na semana passada como delator do maior esquema de corrupção revelado em seu estado
Reprodução - O Globo  / Cuiabá-MT

Inexpressivo politicamente fora de Mato Grosso, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi alçado ao cenário nacional na semana passada como delator do maior esquema de corrupção revelado em seu estado, inclusive com a divulgação de políticos locais escondendo maços de dinheiro em bolsas, mochilas e paletós.

Acusado de liderar uma organização criminosa que pode ter saqueado até R$ 1 bilhão dos cofres públicos, ele mesmo é acusado de ajudar a engendrar o ambiente favorável à roubalheira no estado. Por quatro anos, o ex-governador pôs toda a família para participar do esquema: mulher, filho e irmão.

É esperada para daqui um mês a primeira sentença do ex-governador na Justiça de Cuiabá. Depois de ter ficado um ano e nove meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá, ele conseguiu, em junho passado, ter a prisão transferida para seu apartamento duplex na capital mato-grossense. Enquanto estava na cadeia, viu a mulher e o filho pararem atrás das grade.

A ex-primeira-dama Roseli de Fátima Meira Barbosa e o filho Rodrigo da Cunha Barbosa foram alvos da investigação que está sendo chamada de Lava-Jato pantaneira. Mãe e filho estão soltos, aguardando julgamento. Rodrigo, assim como o pai, usa tornozeleira eletrônica. Roseli é acusada de participar de um desvio de R$ 8 milhões da Secretaria de Trabalho e Assistência Social, da qual era titular na gestão do marido, num escancarado nepotismo. Fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro está entre os crimes a que ela responde na Justiça estadual. Na delação, a mulher de Silval confessou ter usado parte da propina recebida de uma empresa que prestava serviço à pasta para pagar fatura do cartão de crédito.

Rodrigo, de 33 anos, ficou preso por um mês em 2016. Ele é acusado de cobrar propina de empresários que mantinham contratos ou recebiam benefícios fiscais do governo do estado e usar parte do dinheiro para adquirir apartamentos. Antes de se envolver nos esquemas do pai, o rapaz se formou em Medicina em Presidente Prudente (SP). Pouco antes de Silval, então vice-governador, assumir a cadeira de Blairo Maggi, hoje ministro e um dos delatados por ele, Rodrigo voltou para perto da família.

O irmão mais novo de Silval, Antonio da Cunha Barbosa Filho, conhecido como Toninho, é um dos administradores da fortuna dos Barbosa. Sócio de diversas empresas com o irmão, ele é suspeito de lavar o dinheiro desviado do estado pela família. Por enquanto, ele é investigado, bem diferente da situação do irmão, que tem uma ficha corrida extensa. Na delação premiada que Silval assinou em março passado, seis páginas listam as ações e inquéritos a que ele responde. São crimes como corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude e organização criminosa.

Mesmo diante da denúncia de que saqueou o estado em R$ 1 bilhão, os Barbosa conseguiram um ótimo negócio com a delação premiada feita na Procuradoria-Geral da República, em Brasília. Juntos eles devolverão aos cofres estaduais cerca de R$ 80 milhões, boa parte disso em bens, como um avião e terrenos.

Mesmo diante da série de denúncias contra a família do ex-governador, tímidos foram os protestos na região. Nas redes sociais, especialmente nas páginas de deputados flagrados pegando propina, internautas fizeram desabafos nos últimos dias, mas não passou disso. Nenhuma mobilização de rua aconteceu, mesmo estando entre os flagrados o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), cujos maços de dinheiro caíam do bolso.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso ficou esvaziada nos dias seguintes à divulgação dos vídeos. Deputados não apareceram em número suficiente para dar início às sessões. Na quinta-feira, alguns dos delatados por Silval usaram a tribuna para se defender. Nenhum deu explicação para os maços de notas que receberam e criticaram a mídia pela divulgação das imagens.

Investigadores em Mato Grosso acreditam que a família tenha acumulado com as falcatruas muito mais do que o dinheiro que deverá devolver. O patrimônio dos Barbosa é estimado em bilhões de reais, parte dele em nome de laranjas, como o próprio ex-governador assumiu na delação. Um desses bens é uma mansão avaliada em R$ 3 milhões na badalada praia de Jurerê Internacional, em Santa Catarina, além de fazendas e empresas de rádio e TV no Mato Grosso.

Se condenado, Silval não cumprirá um dia da pena na prisão. O acordo determina que o ex-governador permaneça em prisão domiciliar e depois tenha a progressão da pena. Para os demais Barbosa, o cumprimento de pena começará no semiaberto

“ Há 33 anos eu saía do Paraná, e o que levava na bagagem era a vontade de vencer e de contribuir para Mato Grosso”,  disse Silval, em dezembro de 2010, num discurso após ter vencido a eleição para governador.

Acompanhado dos pais, dos irmãos e da mulher, Silval migrou para o Centro-Oeste estimulado pelo governo militar e com planos de fazer riqueza nos garimpos de ouro.

Extração de ouro

A família se instalou na região do pequeno município de Matupá, na fronteira de Mato Grosso e Pará, onde Silval fez dinheiro e carreira política. Dona de barrancos, chegou no auge da extração de ouro na região. O negócio no garimpo prosperou e, no final dos anos 1980, Silval já fazia negócios com garimpeiros até no Pará. Um dos fundadores do garimpo Castelo de Sonhos, em Altamira (PA), Leo Heck é uma das testemunhas das andanças de Silval por lá.

“Ele nunca foi garimpeiro aqui. Nunca o vi com ferramenta alguma na mão. Mas ele entrava e saía do garimpo, negociando sei lá o que com os homens de lá”, diz Leo, de 82 anos.

Com o dinheiro do garimpo, a família começou a abrir comércio em Matupá e, em 1993, Silval se tornou prefeito. Garimpeiros disseram ao GLOBO que, até hoje, eles têm garimpo na região, além de posto de gasolina, empresa de equipamentos para o garimpo e emissora de TV.

“Eu posso dizer a você que, se ele se candidatar a prefeito, é capaz que ele ganhe aqui em Matupá”, afirmou um morador da cidade.

Em Cuiabá, Silval cresceu politicamente pelas mãos do político maior ficha-suja do país, o ex-deputado José Riva, que, especula-se, estaria negociando uma delação. Silval se tornou presidente da Assembleia Legislativa pelas mãos de Riva e vice na chapa de Blairo Maggi, em 2006, pelo mesmo caminho.

Na delação, o ex-governador disse que pagou “mensalinho” a deputados da Assembleia com dinheiro do governo durante sua gestão. Os vídeos da distribuição da propina, divulgado na semana passada, expuseram deputados e prefeitos colocando dinheiro roubado em sacolas, bolsos e caixas. Apesar do patrimônio milionário, os Barbosa mantinham uma vida discreta em Cuiabá. Uma das exceções, entretanto, foi o casamento do filho Rodrigo, em 2012. A festa, para cerca de mil convidados, reuniu políticos de Brasília, a nata da sociedade mato-grossense e muitos dos delatados hoje por Silval. Gravata italiana e caixa de prata cravejada de cristal foram os mimos dados aos padrinhos. O noivo usou terno Ricardo Almeida, e a noiva, vestido bordado com cristais Swarovski.


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 Campanha confusa


Há uma imensa articulação para o Caixa 2 conduzida pelos candidatos nas eleições proporcionais. Como a lição não parece ter sido aprendida e há muita gente precisando do mandato para se manter em liberdade tudo indica que não se verá grandes modificações na composição do Parlamento, tanto federal quanto estadual.

 Majoritária indefinida


Mauro Mendes protagoniza o suspense. Não diz que sim, nem que não. Muita gente gostaria que o quadro para candidatos a governador estivesse definido. Por enquanto continua apenas no nível de desejo. A Copa do Mundo não parece ter despertado tanto entusiasmo.

 Frio na fria


Os candidatos, em decorrência das competições, raciocinam com eleições anteriores, devidamente esquecidos de que o país vive um momento atípico e caminhando para uma encruzilhada. Até onde vai o aprofundamento do golpe ante a deterioração econômica que se vive? Ou seja, é uma "fria" no frio que parece ter dado uma trégua mas deve retornar.

 A escolha do candidato


O eleitorado está mais exigente em relação às candidaturas e hoje privilegia a "honestidade" em detrimento da "experiência". Isso significa que trajetória política anterior pode, inclusive, colocar em risco a biografia do candidato. Políticos profissionais caminham para a rejeição, mas, como detêm a máquina partidária na mão vão fintar tudo e todos para chegarem lá.

 Legalidade formal


A atipicidade do momento eleitoral em que a principal liderança política do país, Lula, continua na prisão transtorna o ambiente de pesquisas eleitorais. O PT continua com um grande "ativo político" que deve ganhar mais relevância ainda se mantido preso. Será a resposta à Justiça que não respondeu às normas e tratou de criar "para situações excepcionais, soluções excepcionais". Ingressamos, portanto, numa moderna ditadura sob o disfarce da legalidade formal.

 Regime de exceção


Só um regime de exceção promoveria o julgamento de Lula em tempo recorde:menos de 18 meses entre a denúncia e a condenação em segunda instância. A mesma pressa não se observa quanto à admissibilidade de recursos às instâncias superiores: Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça e Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal. E os "togados" não gostam do rótulo de "golpistas". Alguns, de fato, não o são. Mas, apenas alguns.

Eparre

Sexta, 16 de fevereiro de 2018
K.W.
Estranha a edição. Essas agressões na Fecomercio não são gratuitas. Há muita sede de poder. Só pode.

Sexta, 15 de dezembro de 2017
Juvenal
Respondendo ao amigo.
Ficou para depois do carnaval..
Vai Brasillll!!!

Sexta, 08 de dezembro de 2017
Roberto Alves
Alguém acredita que a reforma da previdência sai em 2017?

Terça, 15 de agosto de 2017

Vocês estão todos no grampo. Se não for ilegalmente alguém da Justiça já deve ter determinado grampo em vocês. Ta todo mundo quietinho e aprovando prisão de qualquer jeito e vocês acham que prisão é pro cara ficar no bem bom?

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Red Bull te dá asas! E não é que ele levou a sério.
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