Cuiabá (MT), segunda, 25 de setembro de 2017
Turma do Epa
Domingo, 03 de setembro de 2017, 13h31
Chapeu DELAÇÃO MONSTRUOSA

Ex-governador montou esquema de "corrupção familiar" em MT

Inexpressivo politicamente fora de Mato Grosso, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi alçado ao cenário nacional na semana passada como delator do maior esquema de corrupção revelado em seu estado
Reprodução - O Globo  / Cuiabá-MT

Inexpressivo politicamente fora de Mato Grosso, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi alçado ao cenário nacional na semana passada como delator do maior esquema de corrupção revelado em seu estado, inclusive com a divulgação de políticos locais escondendo maços de dinheiro em bolsas, mochilas e paletós.

Acusado de liderar uma organização criminosa que pode ter saqueado até R$ 1 bilhão dos cofres públicos, ele mesmo é acusado de ajudar a engendrar o ambiente favorável à roubalheira no estado. Por quatro anos, o ex-governador pôs toda a família para participar do esquema: mulher, filho e irmão.

É esperada para daqui um mês a primeira sentença do ex-governador na Justiça de Cuiabá. Depois de ter ficado um ano e nove meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá, ele conseguiu, em junho passado, ter a prisão transferida para seu apartamento duplex na capital mato-grossense. Enquanto estava na cadeia, viu a mulher e o filho pararem atrás das grade.

A ex-primeira-dama Roseli de Fátima Meira Barbosa e o filho Rodrigo da Cunha Barbosa foram alvos da investigação que está sendo chamada de Lava-Jato pantaneira. Mãe e filho estão soltos, aguardando julgamento. Rodrigo, assim como o pai, usa tornozeleira eletrônica. Roseli é acusada de participar de um desvio de R$ 8 milhões da Secretaria de Trabalho e Assistência Social, da qual era titular na gestão do marido, num escancarado nepotismo. Fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro está entre os crimes a que ela responde na Justiça estadual. Na delação, a mulher de Silval confessou ter usado parte da propina recebida de uma empresa que prestava serviço à pasta para pagar fatura do cartão de crédito.

Rodrigo, de 33 anos, ficou preso por um mês em 2016. Ele é acusado de cobrar propina de empresários que mantinham contratos ou recebiam benefícios fiscais do governo do estado e usar parte do dinheiro para adquirir apartamentos. Antes de se envolver nos esquemas do pai, o rapaz se formou em Medicina em Presidente Prudente (SP). Pouco antes de Silval, então vice-governador, assumir a cadeira de Blairo Maggi, hoje ministro e um dos delatados por ele, Rodrigo voltou para perto da família.

O irmão mais novo de Silval, Antonio da Cunha Barbosa Filho, conhecido como Toninho, é um dos administradores da fortuna dos Barbosa. Sócio de diversas empresas com o irmão, ele é suspeito de lavar o dinheiro desviado do estado pela família. Por enquanto, ele é investigado, bem diferente da situação do irmão, que tem uma ficha corrida extensa. Na delação premiada que Silval assinou em março passado, seis páginas listam as ações e inquéritos a que ele responde. São crimes como corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, fraude e organização criminosa.

Mesmo diante da denúncia de que saqueou o estado em R$ 1 bilhão, os Barbosa conseguiram um ótimo negócio com a delação premiada feita na Procuradoria-Geral da República, em Brasília. Juntos eles devolverão aos cofres estaduais cerca de R$ 80 milhões, boa parte disso em bens, como um avião e terrenos.

Mesmo diante da série de denúncias contra a família do ex-governador, tímidos foram os protestos na região. Nas redes sociais, especialmente nas páginas de deputados flagrados pegando propina, internautas fizeram desabafos nos últimos dias, mas não passou disso. Nenhuma mobilização de rua aconteceu, mesmo estando entre os flagrados o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), cujos maços de dinheiro caíam do bolso.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso ficou esvaziada nos dias seguintes à divulgação dos vídeos. Deputados não apareceram em número suficiente para dar início às sessões. Na quinta-feira, alguns dos delatados por Silval usaram a tribuna para se defender. Nenhum deu explicação para os maços de notas que receberam e criticaram a mídia pela divulgação das imagens.

Investigadores em Mato Grosso acreditam que a família tenha acumulado com as falcatruas muito mais do que o dinheiro que deverá devolver. O patrimônio dos Barbosa é estimado em bilhões de reais, parte dele em nome de laranjas, como o próprio ex-governador assumiu na delação. Um desses bens é uma mansão avaliada em R$ 3 milhões na badalada praia de Jurerê Internacional, em Santa Catarina, além de fazendas e empresas de rádio e TV no Mato Grosso.

Se condenado, Silval não cumprirá um dia da pena na prisão. O acordo determina que o ex-governador permaneça em prisão domiciliar e depois tenha a progressão da pena. Para os demais Barbosa, o cumprimento de pena começará no semiaberto

“ Há 33 anos eu saía do Paraná, e o que levava na bagagem era a vontade de vencer e de contribuir para Mato Grosso”,  disse Silval, em dezembro de 2010, num discurso após ter vencido a eleição para governador.

Acompanhado dos pais, dos irmãos e da mulher, Silval migrou para o Centro-Oeste estimulado pelo governo militar e com planos de fazer riqueza nos garimpos de ouro.

Extração de ouro

A família se instalou na região do pequeno município de Matupá, na fronteira de Mato Grosso e Pará, onde Silval fez dinheiro e carreira política. Dona de barrancos, chegou no auge da extração de ouro na região. O negócio no garimpo prosperou e, no final dos anos 1980, Silval já fazia negócios com garimpeiros até no Pará. Um dos fundadores do garimpo Castelo de Sonhos, em Altamira (PA), Leo Heck é uma das testemunhas das andanças de Silval por lá.

“Ele nunca foi garimpeiro aqui. Nunca o vi com ferramenta alguma na mão. Mas ele entrava e saía do garimpo, negociando sei lá o que com os homens de lá”, diz Leo, de 82 anos.

Com o dinheiro do garimpo, a família começou a abrir comércio em Matupá e, em 1993, Silval se tornou prefeito. Garimpeiros disseram ao GLOBO que, até hoje, eles têm garimpo na região, além de posto de gasolina, empresa de equipamentos para o garimpo e emissora de TV.

“Eu posso dizer a você que, se ele se candidatar a prefeito, é capaz que ele ganhe aqui em Matupá”, afirmou um morador da cidade.

Em Cuiabá, Silval cresceu politicamente pelas mãos do político maior ficha-suja do país, o ex-deputado José Riva, que, especula-se, estaria negociando uma delação. Silval se tornou presidente da Assembleia Legislativa pelas mãos de Riva e vice na chapa de Blairo Maggi, em 2006, pelo mesmo caminho.

Na delação, o ex-governador disse que pagou “mensalinho” a deputados da Assembleia com dinheiro do governo durante sua gestão. Os vídeos da distribuição da propina, divulgado na semana passada, expuseram deputados e prefeitos colocando dinheiro roubado em sacolas, bolsos e caixas. Apesar do patrimônio milionário, os Barbosa mantinham uma vida discreta em Cuiabá. Uma das exceções, entretanto, foi o casamento do filho Rodrigo, em 2012. A festa, para cerca de mil convidados, reuniu políticos de Brasília, a nata da sociedade mato-grossense e muitos dos delatados hoje por Silval. Gravata italiana e caixa de prata cravejada de cristal foram os mimos dados aos padrinhos. O noivo usou terno Ricardo Almeida, e a noiva, vestido bordado com cristais Swarovski.


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Eparre

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Taques não poupou o vocabulário para adjetivar a decisão tomada pelo "sr. Perri" ao determinar medidas cautelares contra o secretário de Justiça, Rogers Elizandro Jarbas, cujo quilate profissional pode ser avaliado pela redução da criminalidade e a progressiva melhora nas condições de segurança pública.

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O governador lamenta que ações desse naipe, com nítida parcialidade do julgador, resvalem sobre integrantes de seu governo ainda que transpareça a nítida vontade de atingir o seu governo.

 Mais prisões


O governador diz não ignorar que mais secretários possam ser vitimados por decisões arbitrárias e até ao arrepio dos pareceres do Ministério Público, numa condição em que o desembargador viola o princípio da imparcialidade do juiz.

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Taques não se fez de rogado e assinalou que dá cumprimento a decisões judiciais pelo seu caráter de efetividade, mas, não deixa de discuti-las porque isso é próprio do ambiente democrático apesar dos "tempos estranhos" por que passa seu governo.

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A declaração mais pesada de Taques foi a constatação de que, ao tempo em que o desembargador Orlando Perri exercia a presidência do Tribunal de Justiça, uma quadrilha se instalou no governo do Estado sem que o magistrado nada fizesse para obstá-la.

Eparre

Terça, 15 de agosto de 2017

Vocês estão todos no grampo. Se não for ilegalmente alguém da Justiça já deve ter determinado grampo em vocês. Ta todo mundo quietinho e aprovando prisão de qualquer jeito e vocês acham que prisão é pro cara ficar no bem bom?

Sexta, 04 de agosto de 2017
Ubiraci Carvalho
Caramba! Que rolo togado esses tais grampos. É um envolvendo o outro e outro envolvendo o um e mais um. VOte.

Sexta, 04 de agosto de 2017
K.W
Por mais que o povão gosta da desgraça alheia é bom ficar claro que prisão não é sala de suplício. Ou precisa desenhar?

Sexta, 04 de agosto de 2017
Odacil Ferreira
Gosto da informação apurada como estas que vcs publicam. E a seriedade com que tratam o assunto. As posições onde vcs se expressam através da coluna são absolutamente corretas. Querem fazer os militares bodes expiatórios e passarem por cima das leis. Onde já se viu querer mandar um coronel ex-comandante da PM, um ex-chefe da Casa Militar para um Presídio de segurança máxima? Regime Diferenciado é para cumprimento de pena ou excepecionalíssimo e não para servir a mesquinharias e a jogo de vaidades.

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